segunda-feira, 1 de junho de 2015

As loucuras que nos fazem bem





Acredito que seja natural do ser humano isto de estar sempre insatisfeito com alguma coisa. No meu caso, eu uso isso para aprender. Aprender outro idioma, uma palavra nova no meu idioma, a fazer coisas novas, artesanato, dançar e essas coisas.


Pois bem, eu agora estou “inventando moda”.


Há duas semanas comecei o curso de Corte e Costura.  


Sou filha e neta de costureiras(será que serei nora de uma também??). A agulha picou meu dedinho desde menina. E nem virei a Bela Adormecida. Nenhum príncipe encantado me acordou com um beijo. E nem fomos felizes para sempre. Ando muito resistente à magia. 


Desde meus quinze anos, minha mãe nunca precisou fazer bainha nas minhas calças. Ou seja, já levava jeito pra coisa desde cedo.


Estava louca para fazer este curso! Há uns 2 anos que eu procurava, procurava e procurava, mas, todos os que eu pesquisava aqui em BH ou eram muito caros ou os horários não batiam com os que eu tinha livre para fazer. 


Até que, por fim, consegui encontrar que conciliasse preço e disponibilidade. Sábado na parte da manhã. Ao lado do Mercado Central de BH (Deus tenha misericórdia do meu dinheiro!).


Mas, fui lá. Na primeira aula eu estava tão ansiosa que me deu até dor de barriga na noite anterior. Acordei e ainda pensei que nem iria conseguir ir, mas não deixei meu querido corpinho me sabotar. Tomei banho e fui pra aula. Chegando perto da escola, coração acelerado, boca seca, pensei: Só me falta ter uma crise de ansiedade no primeiro dia de aula. Não faltava não. Respirei fundo, mandei esse medo do novo e alegria calarem a boca (vocês num vão me “nogoçar” agora não!) e entrei na loja com a cabeça tão erguida (vou mostrar quem é que manda nessa bagaça!!) que se tivesse uma nota de R$ 100,00 no chão, não encontraria nunca. 


Já na primeira aula aprendi a tirar moldes, cortei as peças no pano para fazer uma saia e... hora de sentar na máquina. Gente... quase chorei! Mentira. Chorei mesmo. Chorei de alegria, chorei de ansiedade, chorei de emoção. Igual a uma boba mesmo. É... eu sou boba mesmo. Esse “negóço” de guardar emoção não tem nada a ver comigo. A professora me olhando de rabo de olho e, provavelmente, pensando: Que menina louca!


Acho que esse vai ser o nome do texto: As loucuras que nos fazem bem.


Na segunda aula as coisas já ficaram beeeeeeeeeem melhores! Sem o estresse louco do início, sem o medo do novo de novo.

 A alegria ficou. E eu deixei.




quinta-feira, 28 de maio de 2015

Dúvida







- O que eu gostaria de entender é como é possível que alguém de 1 metro e meio de altura consegue arrumar tanta confusão!!!!

- Se conseguir isto, me explique. 


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 - Lo que me gustaría comprender es cómo es posible que alguien de metro medio consiga tanta confusión para si mismo.

- Si logras comprenderlo, por favor, explícame.



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 _ What I would like to understand is how is possible someone with height 4' 11" can get so many problems to yourself.

- If you can do it, please, tell me how. 




segunda-feira, 25 de maio de 2015

Coisas do Pai IX



Dias atrás cheguei do trabalho e o papai estava quase dormindo. Perguntei pra ele tinha trabalhado muito naquele dia e ele disse que não. Que havia dormido o dia inteiro, que estava frio e que por isso ele não teve como fazer nada durante aquele. Só dormiu.

Detalhe: Ele não anda mais. Já não consegue, nem mesmo, virar na cama sozinho.

Fiquei lá um pouquinho com ele até que ele cansou de conversar e me falou:

- Agora já está bom! Pode ir embora que agora eu vou dormir.

_Mas, o Senhor disse que dormiu o dia inteiro...! Além disso, o Senhor dormiu ontem, dormiu à noite toda passada... 

- É... mas não cansei disso ainda não. 


quinta-feira, 7 de maio de 2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Memórias Olfativas



A mãe tem cheiro de comida gostosa de fogão à lenha. Tem cheiro de sumo de laranja depois do suco pronto. Se tivesse avental, ele seria sujo de molho e de alho. Ela faz o melhor arroz do mundo!


A mãe, depois que ela volta do quintal, tem cheiro de capim molhado, de capim santo e de terra boa. Daquelas que tudo o que plantar nela, vinga. Tem cheiro de fruta colhida no pé e que ainda tem nódoa escorrendo por ela. 


A mãe tem cheiro de Comfort e de bruma de cachoeira no dia em que ela lava roupa. Ela tem calor de sol no dia em que passa roupa.


A mãe tem cheiro de polvidine depois que termina de fazer curativo no pé diabético do meu pai. 


A mãe tem cheiro de flor depois que ela toma banho.


A mãe tem cheiro de mãe que é só dela o tempo inteiro. Daqueles que ninguém mais tem e em nenhum outro lugar do mundo encontraremos outro igual ou parecido que não seja dentro do abraço dela. 


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Todas as Vidas - Cora Coralina





Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo... 


Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho,
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano. 


Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal. 


Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada. 


Vive dentro de mim
a mulher roceira.
– Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos. 


Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera das obscuras. 


terça-feira, 14 de abril de 2015

Triste



Ayer se fue Eduardo Galeano. 


Luego por la mañana he leído que nos dejó.


Las gracias le son dadas desde todos los rincones del mundo.


Incluso la mía también se lo di.


Soy brasileña de pura cepa. No tengo raíces en ninguno país de lengua española y entretanto hablo español casi como un nativo, nivel C1(el C2 sólo para los que nacen en países del castellano – así me lo dijo la escuela).  Muchas de mis clases han sido con sus obras. E, incluso cuando no tenía clases con textos de Galeano, lo leía desde mi casa, autobús, calle, viajes, etc.


Me encantaban tanto sus textos que en 2011, de vacaciones, fui para Montevideo a conocer la tierra que debería ser la tierra más hermosa del mundo por habernos regalado tan grande escritor. 


Ayer he sentido mucho su ida. Duele saber que hay, todavía, aún muchas palabras que no han sido escritas y que ya no las conoceremos. 


El último adiós no existe.


En cuando se queda en nosotros un poco del que se fue. Un artista, un maestro nunca sabe a dónde termina su influencia en la gente. Puede que pase días, meses, años y su obra sigue dándole vida en los ajos de quienes le están leyendo. 






Ojalá así sea.      


Lacan

 "Você entendeu a teoria de Lacan: As fantasias precisam ser irrealistas porque no momento, no instante em que vocês tiverem o que proc...