quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Dói




Doem a cabeça, o corpo e as asas que querem voar, mas estão “amarradas” com uma linha que só eu posso ver porque foi criada por mim. Sem porquês e sem necessidade. 

A cabeça lateja e pesam os pensamentos. 

Sente que está cansada. Não triste. Não deprimida. Só cansada.

Mas, ainda tem uns 3% de vontade de tentar mais um pouquinho. 

A vida é mais que isso. 

A vida é sempre mais do que qualquer coisa que a gente tenta não ser.


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Legalização do Aborto





Há dias que vejo em vários meios de comunicação sobre a questão da legalização do aborto. Algumas vezes porque era pauta de votação nas Assembleias de determinados países ou simplesmente era gente comum, no influencers – igual a mim – que resolveu escrever (e publicar) algo sobre – igual a mim neste exato momento. 


Todas as discussões, normalmente, giram em torno do “você é a favor ou contra” a legalização do aborto. 


Só que essa caralha é muito mais complicada do que isso!


A discussão, na verdade é sobre a descriminalização do aborto. Hoje, a discussão está no STF. A questão é que muitos juristas consideram que não cabe a eles votarem esse tipo de assunto e que o mesmo deveria ser enviado à Câmera dos Deputados. Tendo em vista o “nível” dos políticos que temos hoje, já se pode imaginar que vai continuar a mesma hipocrisia de sempre. 


Sinceramente, não consigo imaginar uma mulher sequer que seja a favor do aborto. Mas, consigo imaginar diversas situações em que as mulheres foram colocadas em que o final era sempre a pergunta: Fazer ou não o aborto? 


É muito mais complexo do que ter ou não autonomia sobre o que fazer com o próprio corpo e com a vida que está sendo gerada dentro de si. 


Você é mulher, pobre e sem ter tido bons estudos. Você teve um breve relacionamento com uma pessoa que não ficou na sua vida, nunca mais apareceu e tempos depois você descobre que está grávida. Não tem emprego e nem salário fixo. Não tem estrutura familiar, mas aos 20 anos, já tem mais dois filhos para criar. Bate aquele desespero. Você pode contar com os ouvidos de sua amiga que lhe aconselha a tirar o bebê. Você pensa durante um tempo e com os mínimos recursos disponíveis – vai ter que ficar devendo na clínica ainda, pagando parcelado – você procura uma clínica clandestina para fazer isso. Sem um mínimo de higiene, sem atendimento “humanizado”, sem perguntar nada além do “trouxe o dinheiro e os cheques pré datados?”, você se submete ao procedimento. Beleza. Você vai embora e poucas horas depois começa a sentir-se mal. Claramente algo não deu certo. Levam-te para a UPA que, depois de 5 horas esperando, te avisam que não tem médico disponível. Sua situação piorou bastante e te levam para um Hospital. Lá você aguarda 12 horas em uma sala de espera e de vez em quando um profissional chega perto de você para verificar o soro. Depois disto, na troca de plantão, quando o médico chega para te examinar, você está morta. E deixa dois filhos órfãos de pais vivos e mãe morta. Sabe Deus quem poderá criá-los. 


Ou...


Você consegue atendimento na UPA, verificam que é um aborto e comunicam à polícia. Você responde processo correndo o risco de ser presa e deixar dois filhos sabe Deus quem poderá criá-los. 


Ou...


Você é rica, teve um breve relacionamento e foi gerada uma criança. Você tem um futuro brilhante pela frente e seus pais desembolsam 15 mil reais para uma clínica particular e em três dias sua vida é a mesma de semana passada. 


Se, por sorte, você cai no primeiro caso, depois da sua morte, pessoas “de bem” comentarão: Bem feito... quem mandou matar um bebê!


Se, por sorte, você cai no segundo caso, o resto da sua vida ficarão te apontando como aquela que tem coragem de matar um bebê. 


Quem é que se importa com essa mulher? Todos que são contra o aborto... ATÉ O BEBÊ NASCER. Depois disso, é ela por conta própria. 


Precisa trabalhar em dois empregos diferentes, deixa os filhos em creches e depois de uma determinada idade, passam a ficar sozinhos em casa. Crescem um pouco mais e ganham autonomia para ficar na rua sem precisa de acompanhantes. 


Um dia, alguém chega para eles e diz: “Levem esses pacotinhos no alto do morro para mim, por favor. Dou R$ 50,00 para cada se vocês fizerem isso”. Eles fazem.


Começa assim. Depois a gente já sabe o que ouvir: BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO.


O Governo, jogando essa discussão para a sociedade, gerando essa comoção social, quer tirar de si a responsabilidade sobre a vida destas mulheres pobres. O Governo não entra nas periferias para dar-lhes educação, saúde, prevenção e um pouco de dignidade. O Governo só entra nas periferias para matar seus filhos. 


Descriminalizar, seria assumir para si a responsabilidade de cuidar destas mulheres desde a decisão inicial até a decisão final, incluindo acompanhamento médico, psicológico, medicamentos e pós parto. Se não conseguem nem o básico, o urgente, quem dirá atuar na área de prevenção e promoção à saúde. 


O aborto existe. Mas, quem morre, quem entra para as estatísticas é sempre a mulher pobre. O que a sociedade deve ter é cuidado com isso para não fazer disto uma forma de criminalizar quem já nasceu condenado. 


domingo, 14 de janeiro de 2018

Aperto



Terça-feira, dia 31/10, Dia das Bruxas e meu dia começou meio louco. 

Dormi mal, acordei às 4h da manhã e custei a voltar a dormir de novo. Resultado disso foi acordar atrasada, tomar banho correndo e vestir a primeira roupa que apareceu na frente. Cheguei no horário ao trabalho, um pouco antes até. 

Organizei as coisas, desci para preparar um café, voltei para minha mesa, tomei café, enviei alguns emails e fui passar algumas coisas com o chefe. Voltando para minha mesa, fui verificar uma informação no email antes de voltar para a sala do chefe e quando fui sentar em cima da perna – sei que não pode, mas seria coisa de segundos... – ouvi, de repente, um creeeeeeeeeck longo demais para meu gosto e para meu desespero. Levanto como se nada tivesse acontecido e fui verificar onde ouvi o barulho... minha calça havia rasgado de fora a fora. Um buraco enorme entre as pernas que chegava até o meio dos glúteos. 




Sou muito tranquila para situações de emergências. Avaliei o tamanho do problema e como sou costureira também, vi que dar pontinhos com agulha e linha à mão não seria possível. 

Lembrei-me de que há duas costureiras aqui perto do trabalho onde fazem pequenos reparos. Desviei meu telefone para uma colega, amarrei a blusa de frio na cintura e fui atrás de uma delas para cerzir a calça. 

Desci na primeira e não a encontrei lá. Perguntei ao senhor da banca de revista que fica em frente ao “cafofinho” dela e ele me informou que ela havia entregado o ponto. Não trabalhava mais lá. 

Ok. Tudo bem! Tem mais uma. 

Andei mais um quarteirão até encontrar a casa da outra mulher e chegando lá visualizo uma placa: “Hamburgueres Artesanais. O melhor da região.”

A tranquilidade de início começa a me abandonar. Parei e pensei: Lojas de roupas. Procurei mentalmente as lojas de roupas daqui da região e qual delas seria mais barata tendo em vista que trabalho em uma região nobre de BH. 

Lembrei-me de uma em que já havia comprado e corri para lá. 

Gostei de uma pantacourt e o preço não era assim impagável. 

Lembrei-me que havia descido só com R$ 20,00 porque era só para arrumar a calça e não comprar uma nova. 

Ligo pro Marcão – meu amigo que sempre me salva de problemas - e peço para ele pegar minha carteira na minha bolsa e encontrar comigo para eu pagar a peça.

A cara da dona da loja era o melhor: eu com a calça no corpo, sem pagar, chegava até à porta da loja para ver se o Marcão estava chegando.

Resultado: Não eram nem 9 horas da manhã e eu já havia gasto R$ 120,00!

Como disse meu namorado: “SÓ VOCÊ MESMO!”

É... só eu.  


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Sobre Carinhos





Vamos lá. Está incomodando, então eu vou falar sobre isto. 

Passei no centro da minha cidade ontem para comprar umas coisas que precisava. Terminei e passei em uma lanchonete para comprar 1 pastel. Mas, foi 1 pastel mesmo! Juro!

Até aí, tudo bem, tirando a minha mania de regime, mas o caso não é este. 

Chegou um menino de uns 7 ou 8 anos perto de mim, com uma caixinha de chiclete e pediu para eu comprar um chiclete dele para “ajudar”. Disse que não e agradeci. O atendente da lanchonete já conhecia o menino, colocou a mão no braço dele e passando a mão de um lado para outro, perguntou se ele estava bem e se queria comer alguma coisa. 

A reação do menino foi surpreendente!

Ele gritou com o rapaz da lanchonete:

- Não me alisa que eu não sou bicho!

E foi embora deixando todos atônitos com estas palavras.

A outra atendente da lanchonete foi a primeira que falou:

- Já é projeto de bandido! Que menino mal educado!

Pronto. Foi a brecha que faltava para aparecerem os juízes de lei.

- Você deveria ter dado um safanão nesse moleque.-  falou um cliente ao atendente.

- Devia era proibir esse moleque de entrar aqui de novo. – falou outro.

- Isso é falta de couro. – Disse outro. 

E as conversas soltas ou entre si continuaram sempre com um tom de julgamento. 

O atendente ainda estava calado, em estado de choque, me olhando pedindo cumplicidade ou um pouco de bom senso.

Não aguentei! Eu já estava na porta, virei e perguntei para as pessoas que estavam na lanchonete:

- Vocês entenderam o que aconteceu aqui? Vocês viram um menino de 7 ou 8 anos que NÃO SABE RECONHECER UM CARINHO! O que para mim, para ele (o atendente) é algo tão natural, para esse menino, isto é uma ofensa! Só Deus sabe o que ele passou para hoje “saber” que bicho pode receber carinho. Gente, não. 

Fui embora arrasada, deixando umas 8 pessoas caladas e com seus pensamento.

Rezei para que alguém/algo pudesse mudar o destino desta criança porque o mundo é um tribunal implacável!


Lacan

 "Você entendeu a teoria de Lacan: As fantasias precisam ser irrealistas porque no momento, no instante em que vocês tiverem o que proc...