"Deixamos algo de nós para trás ao deixarmos um lugar, permanecemos lá apesar de termos partido.E há coisas em nós que só reencontramos lá voltando. Viajamos ao encontro de nós ao irmos a um lugar onde vivemos uma parte da vida, por muito breve que tenha ela sido."
"É um engodo achar que os momentos decisivos de uma vida, em que
seus rumos habituais mudam para sempre, sejam necessariamente
acompanhados de uma dramaticidade ruidosa e estridente, acompanhada de
grandes surtos. Esta é uma imagem batida inventada por jornalistas
bêbados, diretores de cinema ávidos por flashes e escritores cuja cabeça
é à imagem e semelhança dos pasquins de terceira categoria. Na verdade,
a dramaticidade de uma experiência decisiva para a vida é de uma
natureza inacreditavelmente silenciosa. Ela tem tão poucas afinidades
com a explosão, a labareda e a eclosão vulcânica que, muitas vezes nem é
percebida no momento em que acontece.
Quando desenvolve seu efeito
revolucionário e mergulha toda a vida numa luz totalmente nova, ganhando
uma melodia completamente original, nova, ela o faz sem alarde, e é
nessa falta de alarde que reside sua nobreza especial.” - Pág. 48.
“Será que tudo o que fazemos é pelo medo que temos da solidão? Será
por isso que abrimos mão de todas as coisas das quais nos arrependeremos
no fim da vida? Será por isso que tão raramente dizemos o que pensamos?
Se não for por isso, por que é que insistimos em todos estes casamentos
falidos, nas amizades hipócritas, nas tediosas festas de aniversários? O
que aconteceria se rompêssemos com tudo isso, se acabássemos com a
chantagem insidiosa e nos assumíssemos como somos?” - Pág. 347
“Lembra-te que terás que morrer um dia, talvez já amanhã. (…)
Conscientes da morte, saber consertar as relações com os outros.
Terminar uma inimizade, desculpar-se por injustiças cometidas, expressar
o reconhecimento por aquilo que por orgulho não estávamos dispostos a
reconhecer. Não dar mais tanta importância a coisas que achávamos
importantes: as picuinhas dos outros, o fato de se acharem tão
importantes, o julgamento voluntarioso que fazem da nossa pessoa.” - Pág. 360
“Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que há dentro nós, o que acontece com todo o resto?” - Pág. 52
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