segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Quando alguma coisa importante acontece com o mundo ou alguém conhecido, costumo me perguntar: Onde eu estava neste dia e horário? O que eu estava fazendo? 

É como se eu me perguntasse: eu poderia ter feito alguma coisa para evitar que isso acontecesse?

A maioria esmagadora das vezes a resposta é não. 

Nem tudo cabe a mim. Mas, o que cabe eu tento fazer. 


P.S.: Alguém, em algum lugar está fazendo bolo.

sábado, 20 de agosto de 2022

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Trem Noturno Para Lisboa - Pascal Mercier

 "Deixamos algo de nós para trás ao deixarmos um lugar, permanecemos lá apesar de termos partido.E há coisas em nós que só reencontramos lá voltando. Viajamos ao encontro de nós ao irmos a um lugar onde vivemos uma parte da vida, por muito breve que tenha ela sido."

 

"É um engodo achar que os momentos decisivos de uma vida, em que seus rumos habituais mudam para sempre, sejam necessariamente acompanhados de uma dramaticidade ruidosa e estridente, acompanhada de grandes surtos. Esta é uma imagem batida inventada por jornalistas bêbados, diretores de cinema ávidos por flashes e escritores cuja cabeça é à imagem e semelhança dos pasquins de terceira categoria. Na verdade, a dramaticidade de uma experiência decisiva para a vida é de uma natureza inacreditavelmente silenciosa. Ela tem tão poucas afinidades com a explosão, a labareda e a eclosão vulcânica que, muitas vezes nem é percebida no momento em que acontece. 

Quando desenvolve seu efeito revolucionário e mergulha toda a vida numa luz totalmente nova, ganhando uma melodia completamente original, nova, ela o faz sem alarde, e é nessa falta de alarde que reside sua nobreza especial.”  - Pág. 48.

 

 “Será que tudo o que fazemos é pelo medo que temos da solidão? Será por isso que abrimos mão de todas as coisas das quais nos arrependeremos no fim da vida? Será por isso que tão raramente dizemos o que pensamos? Se não for por isso, por que é que insistimos em todos estes casamentos falidos, nas amizades hipócritas, nas tediosas festas de aniversários? O que aconteceria se rompêssemos com tudo isso, se acabássemos com a chantagem insidiosa e nos assumíssemos como somos?” - Pág. 347


“Lembra-te que terás que morrer um dia, talvez já amanhã. (…) Conscientes da morte, saber consertar as relações com os outros. Terminar uma inimizade, desculpar-se por injustiças cometidas, expressar o reconhecimento por aquilo que por orgulho não estávamos dispostos a reconhecer. Não dar mais tanta importância a coisas que achávamos importantes: as picuinhas dos outros, o fato de se acharem tão importantes, o julgamento voluntarioso que fazem da nossa pessoa.” - Pág. 360

 

“Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que há dentro nós, o que acontece com todo o resto?” - Pág. 52

 

 

 💓💓💓

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Complemento

Complementando o que falei ontem, um apresentador brasileiro deu entrevista dizendo que sofreu assédio de um professor na faculdade. 

Ele reclamou que este professor sempre dizia que tinha gente na sala que estava ali somente para "comprar diploma" - o pai dele era do setor comercial de uma grande emissora de TV - e que por causa deste constrangimento, ele decidiu terminar os estudos em Miami.

Só isso que eu tenho a dizer por hoje.

 

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Locos

Ayer, al llegar a la oficina, en una charla con amigas, hablé sobre terapia e percepciones de un mundo de casi pos pandemia. 

A veces pienso que están todos locos. 

El que tiene un poco de lucidez percibe que están todos locos. Que el absurdo común de antes, ya no es para todos. 

Cada quién tiene su concepto, su límite del absurdo. Algunos antes, otros más allá. 

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

A Cadeira do Rei

 
 

Tanto tempo que não escrevo, mas lendo um conto dias atrás, me lembrei do meu pai e a cadeira “do rei”.

Minha mãe sempre nos deu muita liberdade nas horas das refeições.

- Almoço está pronto!

- Não quero almoçar agora.

- Então almoce quando estiver com fome. Lembre-se de guardar a comida na geladeira depois senão azeda.

Ou:

- Não quero comer “na mesa”, vou almoçar na sala assistindo TV.

- Não deixe entornar comida no chão porque limpei tudo ontem. Passei até cera.

Erámos 6 pessoas dentro de casa e cada uma com um horário diferente de trabalho ou estudos. Praticamente impossível coincidir os horários.

Quando juntava a família aos domingos, cada um ia para um canto acompanhado de um outro alguém. Almoçávamos separados, mas, nunca sozinhos.

Mas, o pai...

Tem uma cadeira que fica ao lado da mesa e ele mesmo chamava de cadeira do rei. Cadeira dele. Do rei.

Não importava quantas pessoas estivessem em casa. Não importava quem estivesse em casa.

A cadeira era sempre dele. Era ele quem deveria sentar-se na cadeira.

A cadeira fica localizada estrategicamente ao lado da mesa grande e bem em frente ao caminho do portão à cozinha da nossa casa.

Na cadeira do rei ele comida, bebia, cantava, lia, conversa com as visitas... tudo era feito ali.

Várias vezes convidamos ele para se sentar à mesa, pois, haviam lugares disponíveis, mas ele sempre com o prato de comida na mão dizia que ali estava bom.

Se alguém – inadvertidamente – se sentasse nesta cadeira, quando ele chegava, pedia para que a pessoa se sentasse em outro lugar porque ali era o lugar dele.

Várias pessoas tentaram negociar com ele, pedindo que ele deixasse que elas continuassem na cadeira indicando outros lugares para ele. Ele sempre respondia: Se você já viu outros lugares vagos, sentou aqui por quê?

Com o passar do tempo, todo mundo que estava sentado na cadeira já se levantava – quase pedindo desculpa - quando ele chegava.

Ele se foi e a cadeira do rei existe até hoje.

Quase ninguém se senta nela. Algumas coisas nos pertencem mesmo quando não estamos.

Nelson Gonçalves cantou: “Eu não sabia que doía tanto esta mesa de canto, uma casa e um jardim...”, hoje, na nossa família, a cadeira do rei compõe o cenário desta música.

  


 

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Lacan

 "Você entendeu a teoria de Lacan: As fantasias precisam ser irrealistas porque no momento, no instante em que vocês tiverem o que proc...