segunda-feira, 20 de outubro de 2014

De onde fui



Eram quase três da tarde quando finalmente chegou à casa de madrinha. Cidade pequena e era feriado. Quase ninguém nas ruas e um silêncio que chegava a incomodar. Até os velhinhos na praça, sentados no banco embaixo da árvore, não faziam questão de jogos ou prosas. Simplesmente existiam ali, como só fizessem parte de um cenário que existisse desde sempre. “Parece que o tempo aqui é diferente.”


Sara desceu do carro segurando o vestido que o vento insistia em levantar. Era setembro mês de céu limpo, sol forte e vento frio. Sentiu um leve arrepio percorrer o seu corpo. Olhou ao redor e não pensava em nada além do vazio dentro de si. Nenhuma saudade, nenhuma culpa, nenhuma vontade de ir ou ficar, nenhuma tristeza e nem alegria, nenhuma dúvida ou certeza. Talvez seja isso o que chamam de paz.  Ausência de sentimentos. Pensou que assim pudesse fazer parte deste cenário. “Não! Nasci aqui, mas sou de lá.”


Fechou o carro e foi em direção à entrada da casa. As janelas abertas indicavam que havia gente lá dentro."Mesmo aqui não deixariam tudo aberto para r a algum lugar”. Abriu o portão que rangeu reclamando dos muitos anos das ações do tempo. “É, amigo. Ele é implacável com coisas ou pessoas.” E riu dele e de si mesma consolando o portão. 


O caminho entre o portão e a entrada da casa não era mais que dez passos. O quintal rodeado de roseiras estava cheio de suas flores. O perfume não era tão acentuado, mas o baile multicolorido enchia os olhos e a alma de alegria. “Algumas coisas e pessoas não deveriam acabar.”, pensou.


Chamou na entrada da porta da sala, mas ninguém a atendeu. Percebeu vozes e risadas vindas da parte detrás da casa e seguiu o corredor entre o muro até a cozinha. Sentiu o cheiro gostos de café feito na hora. Viu sua madrinha, sua tia e duas primas sentadas ao redor da mesa de madeira grande.  “Ela ainda usa forros de chitão nas mesas.” Ficou parada alguns segundos antes de perceberem sua presença ali na soleira da porta. 


- Sara! – Gritou Ana, a prima adolescente da sua tia Sara. Aliás, nunca entendeu bem a falta de criatividade dos pais em dar a ela o mesmo nome da irmã mais nova de sua mãe. Contam que quando ela nasceu, todos que a viram disseram que ela se parecia à sua tia. Mas, era realmente necessário colocar o mesmo nome? Deixe estar.


- Oi pessoal!


sábado, 4 de outubro de 2014

Dad

My dad has 91 years old. Today, at morning, he was basking in the sun and it was very windy. 



Me: Dad, do you want come in? The wind is very cold...

Dad: No. Thanks, daughter! The wind passes. The sun is always here. 










Love him so much!!!!



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

The words that I would like to tell you



In the morning, in a sunny day, flowers with dew drops in my garden, you called and asking me why didn´t I write about you anymore. 


I usually write about what is within me, what I feel.


And…  You are not fuck, fuck, fuck living here anymore.
  




The end. 


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

When I was a child...



When I was a child, in my vacations in my grandfather´s farm,  I thought that milk came from white cows;  chocolate milk came from brown cows; latté came from black and white cows and  coffee came from the coffee´s tree.



When I was a child I never understood how a rabbit can give us chocolate eggs on Easter. More I wondered, my mom couldn´t answer me. Because of this, Easter rabbit were a bad guy for me. Involved in a halo of mystery. Not cute!



When I was a child I thought that if I ate fruit´s seed, a tree would grow up in my belly.



When I was a child, I thought if I ate bubble gum I would die. One day, for an accident, I did it. I ate it. And nothing happened. Another day I ate five bubble gums and I almost died.



When I was a child I thought that if I kept digging a hole I would reach to Japan.



When I was a child I thought that my dollies were my sisters… until I had one in flesh and blood and I turned her into my dolly.





Everything had different color and smell. And the same happiness today.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Jardim Morto

Amo muito este texto!
Não dá para explicar a maneira que ele foi importante para mim.


JARDIM MORTO

Cai chuvosa a manhã sobre o jardim... No final duma ladeira lamosa e junto de uma cruz, verde e negra de umidade, está a porta de madeira carcomida que dá entrada ao recinto abandonado. Mais a frente há uma ponte de pedra cinzenta e na distância brumosa, uma montanha nevada. No fundo do vale e entre penhas corre o rio manso cantarolando sua velha canção.

Em um nicho negro que há junto da porta, dois velhos com capas rasgadas aquecem-se ao lume de uns tições mal acesos... O interior do recinto é angustiante e desolado. A chuva acentua mais esta impressão. Escorrega-se com facilidade. No chão, há grandes troncos mortos... As paredes, altas e amareladas, estão cruzadas de gretas enormes, pelas quais saem lagartixas que passeiam formando com seus corpos, arabescos indecifráveis. No fundo há um resto de claustro, com heras e flores secas, com as colunas inclinadas. Nas fendas das pedras desmoronadas há flores amarelas cheias de gotas de chuva; no chão há charcos de umidade entre as ervas...

Não restam mais do que as altas paredes onde houve claustros soberbos que viram procissões com custódias de ouro entre a magnífica seriedade dos tapetes...

Uma coluna ruiu sobre a fonte, e ao celebrar suas bodas de pedra, o musgo amoroso cobriu-as com seus finos mantos. Pelos vazios de um capitel horizontal assomam ervas miúdas de verde luminoso.

As plantas se abraçam umas com outras, a hera cobre as velhas colunas que ainda se tem em pé, a água que transborda da fonte lambe o solo de pedra que há em seu redor e depois se entrega à terra, que a bebe com repugnância... A restante se perde por um buraco negro, que a bebe com avidez.

Há cortinas pesadas de teias de aranha, as samambaias cobrem os bancos de pedra... Se ouve um contínuo gotejar..., é a água que chora as tristezas de nosso jardim. Nada há de novo no recinto..., até a água é sempre a mesma... penetra pelo solo e volta a sair pelo rosto do adorno da fonte.

Não se pode andar porque as trepadeiras se emaranham nos pés..., é como se o gênio oculto do jardim, quisesse reter algo vivo entre tanta desolação e morte... Atrás do resto de claustro há um jazigo. Os sepulcros desapareceram.., só entre a penumbra e as teias de aranha, umas letras borradas falam uma inscrição em latim... Não se distinguem mais do que duas palavras, uma que diz Requiescit e outra Mortuos...

A chuva aumenta e cai sobre o jardim produzindo ruído surdo e apagado... Umas folhas grandes estremecem suavemente e entre elas assoma com sua cabeça achatada um grande lagarto..., que sai correndo a esconder-se entre umas pedras. Deixa a cauda de fora e depois se introduz de todo... As ervas que o peso do lagarto inclinou voltam preguiçosamente a ocupar sua primitiva posição... Com o vento, todas as flores amarelas tremem e se sacodem da água que tem entre suas pétalas... Há caramujos pregados aos muros... O tempo foi desapiedado para com este jardim; secou seus rosais e cinamomos e, em troca, deu vida a plantas traiçoeiras e mal olentes...




Não pára a chuva de cair.


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Federico García Lorca 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Medo / Miedos...

 Cada um com o seu. // Cada quien con el suyo.




Ela: Tenho medo da mudança. 

Eu: Meu medo é de que nada mude. 


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Ella: Les tengo miedo a los cambios.

Yo: Mi miedo es de que nada cambie. 









Lacan

 "Você entendeu a teoria de Lacan: As fantasias precisam ser irrealistas porque no momento, no instante em que vocês tiverem o que proc...