quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Fantasmas e a felicidade



Durante muito tempo fui povoada de fantasmas dentro de mim que mantinham certa cumplicidade comigo. Eu aceitava que eles ficassem. Eles me deixavam escrever sobre eles. Geralmente eram coisas tristes. A tristeza triste de estar vivo e não viver. É disso que são feitos estes fantasmas. 


Já faz um tempinho que resolvi que era hora de viver sem eles. Óbvio que eles não gostaram da minha decisão e resolveram chamar minha atenção com a intenção de ficar mais um pouco mais (ou para sempre) e o fizeram de maneiras não tão amistosas. Dor de cabeça, dores nos ombros, irritabilidade... entre outras coisas. Não, não estava com um Exu no corpo. Estes fantasmas eram só decisões que foram postergadas por muito tempo. Tempo suficiente a ponto de me fazerem acreditar que era parte de mim. Ou eu deles. 


Pouco a pouco eles se calam. Com um pouco de esforço. Nada tão desgastante. 


Descobri que a paz e a alegria de viver é um treino diário. É um conjunto de pequenas decisões que precisam ser tomadas e aceitar as pequenas consequências de suas decisões/escolhas. 


Nem sempre as coisas são da maneira que a gente quer. Quase nunca, na verdade. 


Mas, acima de tudo, esse treino é escolher ser feliz. Hoje. De novo. Amanhã. E não precisa ser aquela ditadura de redes sociais onde há obrigação de ser a pessoa mais feliz do mundo. Pode ser só um “felizinho”. 







Nenhum fantasma ou decisão não tomada gosta de gente determinada que escolhe ser feliz



Paint: Angela Moulton



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

De onde fui



Eram quase três da tarde quando finalmente chegou à casa de madrinha. Cidade pequena e era feriado. Quase ninguém nas ruas e um silêncio que chegava a incomodar. Até os velhinhos na praça, sentados no banco embaixo da árvore, não faziam questão de jogos ou prosas. Simplesmente existiam ali, como só fizessem parte de um cenário que existisse desde sempre. “Parece que o tempo aqui é diferente.”


Sara desceu do carro segurando o vestido que o vento insistia em levantar. Era setembro mês de céu limpo, sol forte e vento frio. Sentiu um leve arrepio percorrer o seu corpo. Olhou ao redor e não pensava em nada além do vazio dentro de si. Nenhuma saudade, nenhuma culpa, nenhuma vontade de ir ou ficar, nenhuma tristeza e nem alegria, nenhuma dúvida ou certeza. Talvez seja isso o que chamam de paz.  Ausência de sentimentos. Pensou que assim pudesse fazer parte deste cenário. “Não! Nasci aqui, mas sou de lá.”


Fechou o carro e foi em direção à entrada da casa. As janelas abertas indicavam que havia gente lá dentro."Mesmo aqui não deixariam tudo aberto para r a algum lugar”. Abriu o portão que rangeu reclamando dos muitos anos das ações do tempo. “É, amigo. Ele é implacável com coisas ou pessoas.” E riu dele e de si mesma consolando o portão. 


O caminho entre o portão e a entrada da casa não era mais que dez passos. O quintal rodeado de roseiras estava cheio de suas flores. O perfume não era tão acentuado, mas o baile multicolorido enchia os olhos e a alma de alegria. “Algumas coisas e pessoas não deveriam acabar.”, pensou.


Chamou na entrada da porta da sala, mas ninguém a atendeu. Percebeu vozes e risadas vindas da parte detrás da casa e seguiu o corredor entre o muro até a cozinha. Sentiu o cheiro gostos de café feito na hora. Viu sua madrinha, sua tia e duas primas sentadas ao redor da mesa de madeira grande.  “Ela ainda usa forros de chitão nas mesas.” Ficou parada alguns segundos antes de perceberem sua presença ali na soleira da porta. 


- Sara! – Gritou Ana, a prima adolescente da sua tia Sara. Aliás, nunca entendeu bem a falta de criatividade dos pais em dar a ela o mesmo nome da irmã mais nova de sua mãe. Contam que quando ela nasceu, todos que a viram disseram que ela se parecia à sua tia. Mas, era realmente necessário colocar o mesmo nome? Deixe estar.


- Oi pessoal!


sábado, 4 de outubro de 2014

Dad

My dad has 91 years old. Today, at morning, he was basking in the sun and it was very windy. 



Me: Dad, do you want come in? The wind is very cold...

Dad: No. Thanks, daughter! The wind passes. The sun is always here. 










Love him so much!!!!



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

The words that I would like to tell you



In the morning, in a sunny day, flowers with dew drops in my garden, you called and asking me why didn´t I write about you anymore. 


I usually write about what is within me, what I feel.


And…  You are not fuck, fuck, fuck living here anymore.
  




The end.