segunda-feira, 30 de março de 2015

Coerência


A economia do Brasil está uma bosta. 


As histórias de corrupção e má uso de dinheiro público se proliferam todos os dias. 


Chegar em casa e ligar a TV me dá a mesma sensação de estar assistindo aos novos episódios da série CSI. 


Pessoas insatisfeitas jorram suas mágoas contra outras pessoas e contra os governantes em redes sociais e estas mesmas pessoas saem às ruas em manifestação contra o Governo num rompante de consciência política – da qual esqueceu de utilizar nas urnas. 


Tempos sem amor e de cólera – mudando um pouco a frase de Gabriel García Márquez. 


Todos os dias ao vir trabalhar, pego carona com minha irmã. Neste trajeto, eu observo algumas coisas e sempre as mesmas coisas acontecem: Gente que troca de pista sem dar seta; motoqueiro xingando os motoristas de carro porque não deixaram espaço para ele passar (como se meio de pista fosse lugar de transitar); carros trafegando em alta velocidade; motoristas andando pelo acostamento;  pedestres atravessando a rua tranquilamente quando o sinal está aberto para os carros; gente jogando lixo através da janela do carro; jogando papel de bala na rua; deixando o cocô de cachorro no chão; só para citar alguns exemplos.


Tempos atrás, quando o pai ainda tinha alguma consciência das coisas, reclamava com ele sobre essa falta de educação, essa falta de jeito das pessoas em lidar com as pessoas. Ele me falou algo que, cada dia se revela mais verdadeiro:


- Filha, o problema do mundo não é a falta de educação. O problema do mundo está entre o que você pensa e o que você faz: Pensar uma coisa e fazer outra. O problema do mundo é a falta de coerência. 



 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Amado



Cheguei em casa antes de ontem com uma dor de cabeça horrível. Daquelas que faziam as têmporas até latejarem. 


Encontrei o Bruno no meu quarto com a luz apagada, sentado na minha cama e encolhidinho abraçado aos joelhos. Quase chorando. Quando perguntei o que havia acontecido, ele começou a chorar e disse que a mamãe dele tinha brigado com ele. 


Conversei um pouquinho com ele e depois de um tempinho ele voltou ao (quase) normal. Ficou manhoso! 


Foi para a cozinha e falou com a avó dele (minha mãe) que eu estava com dor de cabeça, mas que não precisava se preocupar porque eu já havia tomado remédio e que agora só precisava descansar um pouco. 


A mãe falou com ele:


- Então vamos deixar a tia Lili descansar um pouco. Ela vai dormir um pouquinho, depois ela vai levantar, vai jantar, vai ajudar a vovó a dar comida pro vovô, vai ajudar a cuidar do vovô, vai ajudar a vovó a colocar o vovô para dormir e depois ela também vai dormir.


Ele ficou com os olhos arregalados e falou com a mãe:


- Nossa, vó! Isso é muuuuuuuuita coooooooooooisa para ela fazer até dormir! É quase uma lista!








Quando a gente pensa que não tem jeito de amá-los mais, eles se superam. 


terça-feira, 24 de março de 2015

Quanto tempo dura?

Ele chamou seu filho de quatro anos para uma conversa e disse que precisava viajar, mas que voltaria em duas semanas. 

Depois de 3 anos, o filho conversando no parque com o amigo a mãe, aquele que sempre tinha resposta para tudo, perguntou a ele:

- Quanto tempo dura duas semanas?

O homem, em uma mistura de sentimentos de pena, raiva e carinho, ficou calado uns instantes tentando encontrar a melhor resposta para  a pergunta. Antes que pudesse elaborar qualquer frase, o menino falou:

- Não se preocupe! Eu também não sei quanto tempo é.








quinta-feira, 19 de março de 2015

Girassol



Há muitos, muitos, muitos anos atrás, quando ainda nem existiam seres humanos na Terra, o Sol acordou um dia e começou a observar os planetas ao redor dele. Eles giravam, giravam, giravam... Nunca paravam. 


Um pequeno planeta naquele Universo todo chamou sua atenção. Era lindo! Quase todo ele era azul. 


O Sol ficou encantando com aquele minúsculo planeta e se perguntou: Como é que nunca vi essa belezura antes?


E a Terra ficava cheia de si enquanto girava ao redor do sol. Fazendo graça e charme.


Certo dia, o Sol decidiu que iria lá falar com a Terra. Ele se aproximou um pouquinho e qual não foi sua surpresa quando viu que só de dar o primeiro passo, a Terra começou a soltar fumaça e quando fixou o olhar, viu que toda a superfície do pequeno planeta pegava fogo. 


A Terra então, com muita tristeza, gritou para o Sol:


- Não se aproxime! Você não pode chegar perto de mim senão você destruir tudo o que tem dentro de mim. 


O Sol não se agüentava de tanta tristeza! Por muitos anos, ele ficou quietinho no canto dele. Mas, ver a sua amada todos os dias, rodando, rodando em volta de si, lhe causava uma tristeza muito grande. Ele, então, resolveu se afastar da Terra. 


Logo que deu o primeiro passo, a Terra gritou para ele:


- Não! Volta, por favor!


Ele sorriu e ao olhar para trás, o sorriso desapareceu do seu rosto. Ele viu que a Terra estava envolta em uma neblina muito branca e espessa. Toda sua superfície era de cor azul. A Terra estava gelada! Ela, tremendo de frio, gritou para ele:


- Por favor, não se vá! Sem você aqui, eu morrerei de frio. 


O Sol voltou para seu lugar e a Terra, pouco a pouco, voltou a ser o que era.


Mas, o Sol e a Terra continuavam amando-se e tristes, cada um no seu canto. Até que um dia, a Terra disse a ele:


- Dizem que tudo que o que colocam dentro de mim, cresce. Você poderia me dar uma sementinha sua?

O Sol ficou feliz e confuso com o pedido e então disso:


- Mas, como vou fazer isso se eu não posso me aproximar de você?


A Terra disse: 


- É só você arder com todas as suas forças até que uma faísca possa chegar perto de mim e eu alcançá-la.

Assim o Sol fez. Prendeu a respiração, se concentrou na sua própria força e brilhou, brilhou e brilhou. Uma faísca pequenininha voou pelo Espaço até que chegou à Terra.


A Terra com todo carinho pegou essa faísca e colocou dentro de si. Fez chover, deu adubo, cuidado e atenção.


O Sol vinha todos os dias para ver se sua sementinha havia vingado. 


Até que um dia nasceu uma plantinha esguia e no final dela cresceu uma florzinha amarela como ele mesmo o é. 


A Mãe Terra disse:


- Querida Filhinha! Aquele que vem todos os dias, brilha lá encima e nos dá seu calor é seu pai. Escute o que ele tem a lhe dizer.






E assim a planta batizada de Girassol fazia. Quando a noite chegava, ela baixava sua face em direção à terra para ouvir os segredos que sua Mãe lhe sussurrava.  E ao nascer do Sol, ela levantava seu rosto para ele e enquanto a Terra girava,  a filha o seguia. Sempre altiva. Atenta a todas as histórias do Universo que o Pai Sol lhe contava. 






quarta-feira, 18 de março de 2015

Coisas do pai VIII

“O que hoje é drama, sempre amanhã, estará quieto na memória.” Caio F. Abreu

Está mentindo quem disser que é fácil aceitar o fato de ver os seus pais envelhecerem. Que é fácil vê-los falando nada com nada. Que é fácil vê-los não conseguindo se levantar. Que é fácil perder uma referência em vida. 

Mente quem diz que é fácil vê-los sem roupa na hora do banho encurvados – como se a vida que passou pedisse uma reverência – em cadeira de roda porque nem a perna e nem coluna agüentam mais o peso de tantos anos e tantas experiências. 

Mente quem diz que é fácil ficar acordada noites inteiras porque o pais estão com insônia, ou tiveram pesadelos, ou simplesmente querem jogar uma “prosa” fora. 

Mente quem diz que é fácil trocar a fralda deles quando sabemos que a vida foi uma pessoa de valores rígidos, personalidade forte e, em alguns momentos de lucidez, a gente consegue ver claramente o constrangimento nos olhos deles. 

Mente quem diz que é fácil convencê-los que aquela casa, aquele quarto é a casa e o quarto deles. Mente quem diz que é fácil repetir a cada 3 minutos que estamos em casa. Que não vamos embora para lugar nenhum. Que ali é e sempre a casa deles.

Mente quem diz que é fácil vê-los ingerindo só líquidos porque não conseguem nem levar colher à boca mais. E que é fácil engasgar mesmo com aquela sopa. 

Mente quem diz que não adianta chorar quando, às vezes, é a única coisa que nos resta. Quando as forças vão se esvaindo e nos alcança a desesperança como a de um inverno rigoroso e longo.





E fala a verdade Clarice Lispector quando diz que se aceitar, dói menos.


sexta-feira, 13 de março de 2015

Conversinhas fofas com minha irmã



Conversinha fofa entre minha irmã e eu voltando para a casa numa terça-feira à noite:

Ela: É para te deixar na academia ou vai para casa.
Eu: Vou para a casa.
Ela: Faz isso não. Vá para a academia!
Eu: Vou não. Estou de luto.
Ela(assustada): O que aconteceu?
Eu: Estou de luto pela morte da minha vontade de ir na academia.

Ela quase me arrastou pelos cabelos para ir à academia. 

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Conversinha fofa entre minha irmã e eu no restaurante Self Service em uma sexta-feira. Depois de dar a volta na parte onde ficam as comidas:

Eu: Então, já podemos pegar os pratos e nos servir?
Ela: Não. Come aqui mesmo, com a mão.