terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Coisas do Pai V

Sábado passado ele acordou muito cedo. Foi fazer a caminhada dele e quando voltou resolveu que ia dormir um pouquinho antes do almoço. 

Almoço pronto, fui acordá-lo para almoçar. 

- Pai... paaaaaai... almoço está pronto. Vem almoçar. 

- Já almocei. 

Eu com cara de "como assim já almoçou... Onde? Quando? ".

- Não pai. O Senhor ainda não almoçou. 


Ele com uma cara toda contente: 

- Ahhhhhhhh minha cabeça não está funcionando bem! Mas, minha barriga está. Que bom que não almocei ainda. Assim posso comer "duas" vezes. 




sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Moving away

I don´t want to talk about how I feel. 
If it hurts; where it hurts; since when it hurts.
Just leave me alone. It isn´t to ask too much. 


Maybe someday I will tell you. Not today. Not now. 
Today I don´t want not even to write.  





quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Fofoca em Minas é assim




- Menina!!! Nem te conto. 

- Ai meu Deus! Comece a falar já.

- Sabe aquela menina que trabalhou com a gente?

- Qual?

- Aqueeeeeeela. Você sabe sim. 

- Ahhhhhhhhhhh... sei sim. O que tem ela?

- Está grávida. 

- Mentira. Sério?

- Sério.

- Nossa! Ela era tão quietinha. Toda pudica. Toda santinha!

- Pois é. Nem te conto quem é o pai.

- Ai meu Deus! Conta.

- O nosso ex-chefe. 

- Queeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee?

- Pois é. 

- Mas, ele era bicha!! Lembra que ele levou o namorado dele lá no escritório e até apresentou pra gente?

- Não. 

- Pois é. Acho que você estava de férias. Menina estou passada!!! 

- Pois é. 
 
- Então "tá bom". Beijos.

- Beijos.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Coisas do Pai IV



Nós, a família, sempre que possível, tentamos manter a cabeça dele "funcionando". Perguntamos coisas normais e rotineiras só para fazê-lo lembrar-se sempre das coisas mais simples.


- Quantos anos o Senhor tem, pai?

- Sei não.

- Pensa um pouquinho. O Senhor nasceu em 1923.

Ele com um sorriso irônico no rosto:

- 40 anos.

- ...



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Viajar



Hace dos días, Luis Padilla publicó en su Twitter frases sobre viajar. Precisamente sobre la gente que viaja, que viven para eso; que son personas vacías y que lo hacen para rellenar este vacío de adentro; que la gente que viaja nada más “chupan” los recursos del lugar donde visitan y nada (o casi nada) dejan a cambio.

Me quedé pensando sobre el asunto un buen rato. Bueeeeeeeeen rato. Incluso intenté ponerme dentro de su opinión, pero me pareció un poco distante de la realidad de lo viví en mis viajes. Soy una viajera asumida. No vivo para eso, pero toda y cualquier oportunidad que tengo para viajar, lo hago. Dentro y fuera de Brasil.

Sí, cierto que a donde voy necesito de los recursos del lugar tal como agua, luz, transporte, etc. Pero, decir que nada dejo a cambio… no parece muy bien.

Saben que Valparaíso, en Chile, está la casa a donde ha vivido en escritor Pablo Neruda. Pero, yo sé allá cerca vive una Señora de 80 y picos años que es un bombón. Dulce, voz suave y muy habladora. Le encantan las rosas, el mar y las tardes de domingo con sol (es que así se puede salir a hacer visitas a la gente sin tener que cargar paraguas). Hablamos mucho, le conté sobre mi tierra, las canciones sobre de mi país, mi idioma, etc. Hablamos durante muchos minutos hasta la hora de decirle adiós. Me pidió para contar su historia a donde fuera. Era su manera de viajar. Y yo lo hago.

En Mendoza hay muchas vinícolas, también lo saben. Hacen el mejor Malbec del mundo. Pero, yo sé que allá vive una familia de emigrantes japoneses que tienen una posada. Toda la familia trabaja en esa posada y son muy especiales. La mamá hasta parece una hormiga de tanto que trabaja, el papá cuida de los jardines y de la banca de dulces, los hijos se quedan todos en la posada. Gritan unos con los otros, pero al minuto siguiente están todos sonriéndose.

Yo sabría que hay los locales de que les hablé, pero no sabría de las personas si me hubiera quedado en casa. Suena como charla de “Saint-Exupèry y El Principito” eso de llevar consigo historias ajenas y dejar la suya, pero eso es exactamente lo que quiero decir. Podemos no dejar cosas materiales en los locales donde vamos, pero dejamos historias, experiencias, sonrisas y saudade.

¿Si conocí a gente viaja para rellenar el “hueco” de adentro? Sí. Todos nosotros. Es cierto. Aunque no sea un hueco de existencia, es el hueco de la curiosidad, de saber más allá de lo que nos dicen los libros, más allá de lo que nuestros miedos y conforto nos permiten.

¡Ojalá ese hueco nunca se vaya y mis ganas de viajar nunca me deje!




PS – Por cierto, todos en los lugares que he estado conocen a Luis. Siempre me preguntaban a dónde había aprendido el español de México. Bueno, ya saben la respuesta. 




sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Coisas do Pai III

"Poucas coisas na vida ou nenhuma é digna de nossa preocupação." 
 

É o que meu Pai costuma dizer.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Coisas do Pai II

O Pai tem 91 anos, tem um bom humor que ninguém supera, uma visão crítica do mundo imperdoável, uma sinceridade de criança e tem diabetes mielitos. Toma insulina 1 vez por dia. Sempre pela manhã. E isso faz com que a gente precise estar atento o dia inteiro com relação a alimentação dele. De três em três horas ele precisa comer algo, caso contrário, pode dar "hipoglicemia". 

Há pouco dias atrás, apesar de todos os esforços, ele teve uma crise de hipoglicemia. Ficou aéreo, voado, falando enrolado - quase os mesmos sintomas de "bêbado". Demos a ele uma água com açúcar e aos poucos ele foi voltando a si. 

Para saber se estava tudo bem mesmo, perguntei a ele "quem era eu". Ele respondeu, com um sorrisinho bem sacana:

- "Tá" danado!! Se nem você sabe quem é, como EU posso saber?


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Pai

Ontem ele acordou e perguntou:

- Hoje é domingo?

Respondemos que não. Que era terça-feira.

- Então eu vou tomar café e vou deitar e dormir de novo. 

Perguntamos para ele se fosse domingo, o que ele faria.

- Tomar café, assistir à Missa na Rede Vida, deitar e dormir de novo.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Real e Fantástico

Dias atrás, o meu amigo Eder (sem acento), me enviou o link de uma página de uma mãe que contava algumas coisas que o filho Billy fazia e dizia. 
 
Adorei! Principalmente porque tenho um "Billy" na família, mas se chama Bruno. 

Bruno - tem 3 anos - ontem foi lá pra casa, me ligou no trabalho e me disse que tinha levado dois cavalos para brincar com ele. Um de verdade e um de mentira. 

Cheguei em casa e só tinha um cavalo. Perguntei onde estava o outro cavalo, o de mentira. 


Apontando para o cavalo no chão:

- Esse que é o de "mentiinha", tia Lili. O de "veudade" "tá' aqui (apontando para a cabeça dele).


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Passado e Presente



Dizem que sou simpática. Deve ser porque quase nunca falo e escuto muito. 

É sério. Falo muito pouco. E sou tão crítica que, geralmente, as pessoas não gostam de perguntar as coisas – provavelmente com medo da resposta. Por isso falo menos ainda. 

Se serve de consolo – para mim e para os outros – já fui muito pior. 

Uma coisa que os últimos anos e a degeneração cerebral natural do meu pai e seus 91 anos estão me ensinando é a ter um pouco mais de paciência.

Acho que a responsabilidade dele antes de partir é essa, me ensinar a ter paciência. Se não nasci com isso, aprenda com a vida.


Poucos dias atrás, por causa do estresse normal de fim de ano, estava em casa, sentada na minha cama e estava pensando em tanta coisa que ao mesmo tempo não estava pensando em casa. Olhar longe, nem piscava e segurando a cabeça com as mãos. É... bem deprimente assim mesmo!

Ele passou, voltou e ficou parado na soleira da porta e me disse:

- A vida é "pra" gente viver. Não é "pra" gente pensar nela, Lila.





Saí e fui correr. Dos meus pensamentos e para a vida.