quinta-feira, 23 de abril de 2015

Memórias Olfativas



A mãe tem cheiro de comida gostosa de fogão à lenha. Tem cheiro de sumo de laranja depois do suco pronto. Se tivesse avental, ele seria sujo de molho e de alho. Ela faz o melhor arroz do mundo!


A mãe, depois que ela volta do quintal, tem cheiro de capim molhado, de capim santo e de terra boa. Daquelas que tudo o que plantar nela, vinga. Tem cheiro de fruta colhida no pé e que ainda tem nódoa escorrendo por ela. 


A mãe tem cheiro de Comfort e de bruma de cachoeira no dia em que ela lava roupa. Ela tem calor de sol no dia em que passa roupa.


A mãe tem cheiro de polvidine depois que termina de fazer curativo no pé diabético do meu pai. 


A mãe tem cheiro de flor depois que ela toma banho.


A mãe tem cheiro de mãe que é só dela o tempo inteiro. Daqueles que ninguém mais tem e em nenhum outro lugar do mundo encontraremos outro igual ou parecido que não seja dentro do abraço dela. 


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