quarta-feira, 21 de março de 2012

Efeito




Até àquele momento ela não havia chorado. Mesmo depois de ter passado por tudo aquilo com o avô tão querido. Mesmo depois de tê-lo perdido, na noite anterior em sua companhia. Era ela quem estava lá segurando a mão dele quando ele deixou de viver. Ela não chorou. Mesmo depois de ter abraçado sua mãe, filha dele, quando ela teve que dar a notícia naquela sala fria de hospital. Ela não conseguia chorar.

Mas, depois de estar nos (a)braços daquela mulher que era a mãe do seu melhor amigo, depois de estar naqueles braços que diziam “sinto muito” tão sinceramente, diferente de todos os abraços e palavras socialmente ensaiadas que ela havia recebido naquele dia tão tumultuadamente atípico, só depois de tudo isso é que as lágrimas secas em seus olhos se tornaram nascente.

As duas nunca haviam se visto antes e mesmo assim era como se elas se conhecessem toda uma vida.


Só tinham a certeza de que esse primeiro encontro era só a continuação. 





PS - A la tarde lo publico en español.

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