quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Lembranças


Não sei quem disse que recordar é sofrer duas vezes, mas juro que não tinha uma família como a minha.

Anos atrás, quando eu ainda estava na faculdade, chegou sábado, depois da aula, o professor avisou que teríamos prova de Matemática Financeira na segunda-feira. 

Resultado: Se havia alguma possibilidade de descanso no que sobrava de fim de semana, essa ficou ali na sala de aula.

Corri para casa para estudar.

No domingo, almoço em família. Todos falando (entende-se gritando), brincando lá fora e eu apaixonada com minha HP12C prateada, linda. :´(

Morrendo de vontade de sair e foi exatamente o que fiz.

Cheguei no quintal: churrasco, cerveja, irmão, irmãs, cunhados, cunhada e afins. Todos reunidos. Meu sobrinho, lindo, todo empolgado ao me ver:

- Olha!! A tia Lila chegou.

Aplausos, gritarias, pedidos de autógrafos e meia hora depois consegui sentar com ele. Perto dos brinquedos.

Sobrinho impaciente: Vc demorou.

Tia inteligente: Estava estudando, mas agora já chega de pensar. Quero pensar em nada mais.

Sobrinho filósofo: Tia, se você não pensa, vc é burra. 

Tia atônita: ...


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Meu pai tem 89 anos e é o amor da minha vida. Sempre levou a vida com responsabilidade, mas com um desapego que impressiona. 


O único sofrimento dele é se alguma grave acontecer com a gente, filhos dele. No mais, nada é problema para ele. 


Outro dia estávamos tomando café à tarde e ele começou a pensar e a falar sobre a vida dele.


 - “A morte já veio me buscar umas 4 vezes e eu mandei outros no meu lugar. Sou um dos mais velhos dos meus irmãos e ainda estou vivo. Dos mais novos quase todos já foram. Mas, se eu puder escolher, quero morrer igual meu irmão Henrique. Caiu pra trás que não teve tempo nem de falar Amém. Jajajajajajajajajajajaja...” ( Meu tio Henrique teve um infarto fulminante)

Filhos: ...



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Tenho um bebê de 1 ano e 8 meses na minha família. Meu sobrinho. Meu conceito de perfeição mudou muito depois da chegada dele. 


Ele costuma chamar a minha mãe, Maria, de Vovó Ia. 


Dia destes, levamos o Bruno na casa de uma amiga da minha mãe. Nesta casa tinha umas galinhas e o bebê ficou louco para pegar uma delas. A amiga da mamãe querendo agradar, pegou uma das galinhas, colocou perto dele e disse que a galinha se chamava Maria. 


Pensem no que aconteceu depois.
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Bruno passou o resto do passeio correndo atrás da galinha e chamando ela de Vovó Ia. 


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Quando as pessoas me perguntam como é que posso viver sempre com um sorriso no rosto? Acredito que é até por comodidade. Ser infeliz ia me dar muito trabalho!!




2 comentários:

  1. a gente é o que a gente vive. penso que não existe lembrança ruim. só se a gente quiser que seja.

    beijo

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  2. Sabe que vc tem tem razão... !!!!


    Beijo

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